Uma Jornada Filosófica e psicadélica no Limiar da Realidade.
Life is The Game é uma experiência imersiva em Realidade Estendida (XR), concebida como um ritual de passagem entre a morte e o renascimento. Através de espaços híbridos, paisagens sonoras interativas e uma narrativa que convoca estados liminares de consciência, a experiência conduz o participante por uma viagem filosófica, sensorial e existencial que interroga a identidade, a memória, o tempo e a própria perceção de realidade.
Inspirada na ideia foucaultiana de heterotopia — entendida como espaço simultaneamente real e imaginário — a experiência conjuga elementos de realidade mista com ambientes virtuais que se desdobram na presença do corpo do participante. A obra mobiliza referências da física quântica, da estética cinematográfica e da filosofia da perceção, propondo ao visitante um atravessamento que é também uma pergunta fundamental: o que significa existir?
sinopse
Num espaço neutro, aparentemente vazio, o participante inicia uma viagem que começa "antes do nada", atravessando estados de dissolução, vazio, encontro, aceleração e libertação, até ao renascimento. A voz que acompanha a jornada, simultaneamente éter e consciência, guia-o por ambientes que oscilam entre o infinitamente microscópico e o infinitamente cósmico.
Ao longo da experiência, o visitante confronta-se com paisagens sonoras que reagem aos seus movimentos, sistemas visuais em transformação constante e mecânicas simbólicas que o colocam perante escolhas existenciais. As decisões, explícitas ou subtis, moldam o seu percurso, acentuando a dimensão participativa e reflexiva do jogo.
Enquadramento Conceptual
O projeto estabelece um diálogo com referências que atravessam a arte, a filosofia, a física e o cinema, convocando diferentes modos de percecionar o real.
A especulação filosófica de Bertrand Russell sobre a instabilidade da memória e da realidade estabelece uma reflexão de natureza lógica e ontológica sobre o que lembramos e sobre o que tomamos por real.
A estética minimalista e assética de 2001: Odisseia no Espaço (Stanley Kubrick, 1968), marcada pelo rigor geométrico, pelo silêncio arquitectónico e pela contenção formal, dialoga, por contraste, com as linguagens experimentais, sensoriais e interdimensionais de Edgar Pêra e Pedro Maia, cujas vibrações psicadélicas e estratificações temporais expandem o território perceptivo da experiência.
A investigação plástica de Filippo Fiumani, centrada na linguagem, na mutação simbólica e nas tensões entre palavra e imagem, informa a dimensão visual e linguística da experiência, através de anagramas, jogos tipográficos e inscrições no espaço, que transformam a palavra em matéria sensível e dispositivo de experiência.
Narrativa & Mecânicas
Life is The Game propõe um cruzamento entre a narrativa interativa, com a exploração do corpo enquanto interface expressiva.
Inspirando-se no conceito de heterotopia formulado por Michel Foucault — entendido como ‘espaço outro’, simultaneamente físico e imaginário, que suspende ou inverte as normas do real — o projeto ambiciona desenhar ambientes híbridos onde se sobrepõem a materialidade do mundo físico e a densidade afectiva do espaço digital, mobilizado como ferramenta de torção das convenções do tempo e do espaço.
Neste contexto, o corpo não é apenas mediador técnico, mas sujeito sensível, cuja presença transforma a narrativa e ativa ressonâncias emocionais. A dramaturgia da experiência desenvolve-se a partir de estados liminares, onde o participante é confrontado com dilemas existenciais mediados por ambientes sinestésicos e abstratos, entidades audiovisuais e mecânicas interactivas que convocam uma participação introspectiva. A integração de puzzles simbólicos e existenciais, ancorados em reflexões sobre identidade e transcendência, estabelece a agência do participante.
Narrativa & Mecânicas
As mecânicas de jogo articulam-se em três eixos principais: